Eu sei que o tempo das eleições já passou, pelo menos nas cidades onde não haverá 2º turno mas os panfletos, cartazes, muros pintados, etc., não nos deixam esquecer . Não bastasse as promessas que só serão lembra daqui há quatro anos, eles ainda emporcalham nossas cidades durante as eleições e assim deixam ficar até...bem, isso só Deus sabe.
Esses dias recebi a carta de uma amiga minha que achei engraçado “Agora aqui está tudo parado. Mas eu já não agüentava tanta festa.”. Algum tempo antes havia recebido uma carta, da mesma pessoa: “Aqui ta bom demais. É festa em cima de festa, e ta pensando que é bandinha fraca? É tudo banda boa, quase toda dia”.
Ela mora na mesma cidade que eu morava antes de vir pra cá, um lugar pequeno que não oferece muitas opções de diversão. As “festas” comentadas eram os tão populares “showmicios”. Essa não é uma opinião só dela, pelo contrário, isso reflete da maioria dos jovens da cidade. “Como está a eleição aí?”; “ta massa!! Parece que amanhã vai ter Ivete pra encerrar.”
Acredito que eles estejam trilhando um caminho perigoso e levando a cidade junto com eles. Ninguém esse ano se interessou em saber as propostas dos candidatos (tudo bem que são as mesmas de todos os outros anos, mas...). ninguém questionou a falta de verbas, não havia dinheiro para calçar uma rua, mas por mês um dos candidatos chegou a gastar um milhão de reais. Uma quantia alta para uma cidadezinha do interior. Ninguém também atentou ao fato de que a violência era absurda durante os shows, quer dizer, comícios. Em um delas um único homem esfaqueou 6 pessoas. Sem contar as baixarias típicas dos canditados, um acusando o outro.
No fim das contas, pelo menos ganhou o menos ruim. Mas o que importa não é quem leva um eleição, mas a consciência política das pessoas, especialmente dos mais jovens, que simplesmente ignoram a importância da política nas suas vidas. O meu avô é uma das pessoas mais politizadas que conheço e curiosamente mal sabe assinar o nome. Se comparado com os universitários da cidade então...
O caminho que traça uma pequena cidade interiorana pouco importa para o destino do resto do nosso país. Mas será que ela é um reflexo do que ocorre no resto do Brasil? Me assusta em pensar que sim.
Escrito por Luna às 23h16
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