My Life of Dog


“Não tenho nada preto para vestir”, pensou. Decidiu-se por uma calça jeans e uma camiseta branca.Jogou distraidamente  algumas outras roupas na mala e saiu apressadamente para não se atrasar. “Atrasada!?”- sorriu ironicamente.

 Durante o caminho algumas lembranças soltas percorriam sua mente. Enfim, ali estava diante da casa em que cresceu. Relutou um pouco até tomar coragem para entrar. Quando o fez, viu três mulheres, cada um em uma canto diferente da casa, abatidas, como aqueles que chegam ao fim da batalha.

Falou rapidamente com todos, até que não pode mais evitar de olhar para seu pai. Nesse momento  lágrimas percorreram-lhe a face, as lágrimas que ela tanto havia pedido a Deus, um deus que ela nem sabia mais se acreditava, que não permitisse que caíssem. ali estava o seu pai, morto.

A morte não mudara a sua face, apenas lhe tirou a máscara de dor que a cobriu durante os últimos anos. Mas agoras ali estava, o rosto do pai que ela conheceu e amou durante toda a vida. Beijou suas mãos pedindo a benção e começou a conversar, ainda segurando sua mão. Na época da doença, ela mantinha longas conversas com o pai e ele apertava sua mão em resposta afirmativa as perguntas.

“Pai, o senhor viu, como seu neto está grande?” Só que dessa vez não houve o aperto quase imperceptível de antes.

Chorou copiosamente, não apenas pelo pai, mas por ela. Durante todo aquele tempo, ela também morria, sua vida estava presa àquela cama. Não havia felicidade sem culpa, ou conquistas com glória. Aprendeu muito cedo, o que muitos morrem sem saber, que o pior momento da vida é quando a morte se torna a melhor opção.

Se perguntarem, ela não poderá responder  quem falou com ela no decorrer do dia ou das pessoas que ali passaram.tudo ao seu redor não passava de imagens deturpadas. A madrugada passou em um piscar de olhos, o dia tão rápido quanto. Quando o fim de tudo chegou ela sentiu o renascimento, todo o peso da morte se foi. Não que no momento do enterro os laços com seu pai tenham se rompido, pelo contrário. Pela força dessa união ela podia sentir que toda dor do pai cessara e que ele estava bem. Compreendeu que ela também ficaria.  Mais um dia terminou,para ela um novo começo.

 

*Gente, eu sei que isso tá parecendo texto de romance de revista(daqueles que ninguém compra, ainda por cima, rs). Mas pro-me-to que o tempo de textinhos mediocres nesse blog acabou.



Escrito por Luna às 21h38
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